És tu o próximo Best Smartie?

10 janeiro, 2019

Da Universidade para o mundo do trabalho

15 março, 2019

Opinião

O impacto dos Millennials

O impacto dos Millennials no mundo do trabalho é notório. Trazem mudança, novas ideias e formas de encarar a vida profissional, o que representa um grande desafio para a maioria das empresas. Como millennial que é, o nosso IT Recruiter Pedro partilha a sua opinião sobre este tema. 

27 fevereiro, 2019
O impacto dos Millennials

Não existe uma definição consensual para o que são os Millennials. Uns dizem ser a geração nascida a partir de 2000, outros 1990, ou até mesmo 1985. Para uns significa disrupção e inovação, para outros inconformismo e inadaptação. No entanto, existe uma concordância quase unânime de que “Millennials” é sinónimo de mudança, principalmente no mundo do trabalho. 

Analisemos o contexto.

Existe uma diferença abismal no ritmo de inovação tecnológica a partir da década de 1990, e na forma como as pessoas representam e são representadas no mundo. As crianças nascidas nas últimas duas ou três décadas cresceram num contexto cada vez mais tecnológico, bombardeadas com quantidades exorbitantes de informação de forma constante, e com uma perceção incrível da tecnologia, percebendo as alterações e os seus significados e o que poderão representar e mudar no seu dia-a-dia.

A informação já não se faz esperar. As pessoas têm sido habituadas a ter respostas à distância de um clique, num qualquer monitor de telemóvel ou gadget que se tornou entretanto a extensão das nossas mãos (e de nós próprios). E caso a resposta demore mais do que 2 segundos após o clique, as pessoas aprenderam a procurar uma operadora que forneça uma velocidade de internet mais rápida. Se no passado a sociedade cada vez mais capitalizada adotou o chavão de que “tempo é dinheiro”, nesta nova sociedade que emerge, a perda de tempo tornou-se inaceitável. E se se concorda que o tempo é algo valioso, por outro lado, será que o valor dado ao trabalho é o mesmo? Se existiu na geração dos nossos pais a necessidade de encontrar um contrato sem termo devido à segurança que isso traz, um trabalho “para a vida” devido à estabilidade necessária, e a visão de que o trabalho é um meio para atingir um fim (ou na maior parte das vezes apenas para obter uma rotina estável), as crianças que resultaram desses ambientes familiares foram ensinadas que poderiam fazer ou ser o que quisessem, e, principalmente, quando o quisessem. Foram crianças que cresceram, por um lado a ver a rotina e os seus efeitos, e por outro a serem bombardeadas com formas de fugir à inevitabilidade do destino e em procurar deixar o seu cunho no mundo. Penso que uma das grandes diferenças seja esta. A diferença entre a informação disponível para a tomada de decisões é brutal, entre as gerações. Se existia uma certa coerção social em ser-se igual e não destoar, hoje em dia é quase obrigatório ser-se disruptivo.

Outra grande diferença, tem que ver com as noções de felicidade. A ausência de mudança foi durante muitos anos o arquétipo da carreira perfeita, sendo o objetivo principal a estabilidade e a rotina. Existia uma noção muito forte de responsabilidade e obediência, e um conformismo inerente à condição de trabalhador. Durante esses anos, cresceram crianças habituadas a ver chegar e partir modas no espaço de semanas, cujo conceito de “coolness” mudou de ano para ano, e cujos conceitos de felicidade foram adaptados para uma procura incessante de novidade e descoberta.

Chegados ao mercado de trabalho, os jovens não querem mais ter de trabalhar rotineiramente na base do “porque sim”, mas querem questionar o “porquê”.

Não querem ter de esperar 1 ano ou 2 anos para deixar a sua marca, querem partir em busca de novos desafios “onde sejam valorizados”, muitas vezes sem nada terem feito para isso.

Não querem ter de trabalhar toda a vida para aquilo que estudaram, querem aprender coisas novas.

Não querem trabalhar por conta de outrém, querem ser freelancers.

Não querem a rotina, querem fugir dela.

Não querem ser efetivos, querem ser especiais, como lhes disseram toda a sua vida que eram.

Isto leva a um enorme conflito de ideias e modos de vida no mundo empresarial, em que as empresas se vêm obrigadas a uma constante adaptação na procura de reter os jovens, que por sua vez procuram não serem retidos.

Muito se tem escrito sobre os millennials, e sobre a sua falta de compromisso e falta de espírito de sacrifício. Sobre a sua capacidade de inovação e necessidade de disrupção. Muito mal se tem falado dos millennials através das redes sociais criadas por millennials. Mas raramente se questiona o papel das empresas na falha em reter jovens devido à sua inflexibilidade e teimosia em apresentar soluções a longo prazo (ou fora de prazo). O que se continuará a verificar será uma geração de jovens nómadas numa busca constante (e muitas vezes infrutífera) pela felicidade, através de um mundo de empresas sedentárias à procura de os acompanhar.


Por: Pedro
Smartie Sourcing & IT Recruiter

Newsletter Smart

Queres saber mais sobre a Smart? Subscreve a nossa newsletter!
Novidades, Eventos, Oportunidades e muito mais.